Melhorar o desempenho dos alunos a partir da educação básica pode significar muito mais do que avanços em índices educacionais. Representa crescimento econômico, inovação, geração de riquezas e posição de protagonismo. É isso o que aconteceu com inúmeros países nas últimas décadas e que a região Oeste do Paraná passa a mirar como prioridade. A reflexão foi apresentada pelo coordenador da Câmara Técnica de Educação do Programa Oeste em Desenvolvimento, Jadson Siqueira, durante reunião do Conselho Deliberativo da Caciopar, no último sábado, em Tupãssi.
Com base em estudos internacionais e em evidências acumuladas ao longo de 50 anos em 163 países, Jadson defendeu que a educação de qualidade deve ser tratada como infraestrutura econômica estratégica. Segundo ele, competências cognitivas explicam 73% da variação do Produto Interno Bruto dos países, enquanto o simples aumento do tempo de permanência dos alunos na escola responde por apenas 25% desse crescimento.
Melhora de 100 pontos no Pisa – programa que mede a qualidade do ensino no mundo – pode representar entre 1,5% e 2% adicionais de crescimento anual. Em um horizonte de 40 anos, isso poderia resultar em um PIB entre 75% e 120% superior ao cenário atual, no Oeste. Considerando o PIB do Oeste do Paraná em R$ 90 bilhões, seria praticamente como dobrar esse volume em poucas décadas. Ou, para o Estado todo, seria como adicionar R$ 1 trilhão à economia paranaense em pouco mais de 30 anos. "O futuro econômico é construído dentro das salas de aula. Não é o tempo na escola que faz a diferença, mas o aprendizado real e a capacidade de transformar conhecimento em inovação", destacou Jadson.
Paradoxo
O coordenador de Educação do POD também chamou atenção para o paradoxo brasileiro. Apesar de ocupar posição entre as dez maiores economias do mundo (oscila, nas últimas décadas entre 8ª e 12ª), o País aparece distante das nações líderes em educação. No Pisa de 2022, o Brasil registrou média de 403 pontos, muito abaixo de Singapura, líder do ranking, com 560 pontos. Japão (533), Coreia do Sul (523) e Finlândia (511) figuram entre os exemplos de países que transformaram investimentos consistentes em educação em prosperidade econômica e protagonismo global.
A Coreia do Sul foi citada como um dos casos mais emblemáticos. Na década de 1950, era um dos países mais pobres do mundo. A partir de uma estratégia que colocou a educação no centro das políticas públicas, investindo fortemente na formação das novas gerações, o país alcançou crescimento médio de 9% ao ano entre 1960 e 1990 e, atualmente, é a quarta maior economia da Ásia.
Condições únicas
Para Jadson Siqueira, o Oeste do Paraná reúne condições únicas para trilhar um caminho de sucesso, respeitando suas características e vocações. Referência nacional na produção de proteínas, a região pode avançar ainda mais ao agregar inovação, tecnologia e conhecimento à sua principal atividade econômica, objetivo defendido pelo Programa Oeste em Desenvolvimento em sua Ambição Regional.
O professor ressaltou que a construção desse futuro não depende apenas dos governos ou das instituições ligadas à educação. "Todos nós somos responsáveis pelo futuro que a região pode ter e oferecer aos seus cidadãos. Precisamos compreender que investir em educação básica de qualidade é investir em desenvolvimento, competitividade e oportunidades para as próximas gerações".
Criado em 2013, o POD reúne mais de 60 entidades, líderes e representantes de diferentes setores para pensar estratégias de longo prazo para o Oeste do Paraná. Na avaliação de Jadson, a transformação pretendida pela região começa pela decisão coletiva de colocar a educação no centro do planejamento. Afinal, os resultados que o Oeste deseja colher em 2050 dependem diretamente das escolhas feitas hoje. O prefeito de Tupãssi e presidente da Amop, José Carlos Mariussi, falou da importância do estudo apresentado por Jadson e da necessidade de toda a região se unir para construir o futuro que pode e merece ter.
Crédito: Assessoria

